- Fear of the Dark - Tradução
Medo de Escuro
Eu sou um homem que anda sozinho
E quando eu ando em uma estrada escura
De noite ou passeando pelo parque
Quando as luzes começam a mudar
Eu algumas vezes me sinto um pouco estranho
Um pouco ansioso quando está escuro
Medo do escuro, medo do escuro
Eu tenho medo constante de que algo está sempre perto
Medo do escuro, medo do escuro
Eu tenho uma fobia de que alguém está ali
Você já correu seus dedos pela parede
E sentiu a pele de sua nuca arrepiar
Quando estava procurando a luz?
Algumas vezes quando você está com medo de olhar
No canto da sala
Você sente que alguma coisa está observando você
Você alguma vez já esteve sozinho a noite
Pensou que ouviu passos atrás de você
E virou de costas e não havia ninguém lá?
E a medida que você acelera seu passo
Você acha difícil olhar novamente
Porque você tem certeza de que alguém está ali
Assistindo filmes de terror na noite anterior
Falando sobre bruxas e folclore
Os problemas desconhecidos na sua mente
Talvez sua mente esteja pregando truques
Você sente, e subitamente seus olhos fixam
Em sombras dançantes do além
- Iron Maiden -
História
HISTÓRIA DA BANDA
O Iron Maiden foi fundado por Steve Harris, que após se aventurar nos gramados jogando futebol pelo juvenil do West Ham resolveu largar tudo e se dedicar à musica.
A banda nasceu em 1975 mas só fez seu primeiro show em 76. Após muitas mudanças e a entrada e saída de Dave Murray a banda finalmente se acertou em 79 assinado contrato com a gravadora EMI. A partir de então o sucesso foi inevitável.
O primeiro disco foi lançado em 1980 e foi bem elogiado para um disco de estréia. Ao longo da década de 80 - considerada a década de ouro do Iron Maiden - a banda trocou de formação 3 vezes e lançou 7 discos: Iron Maiden, Killers, The Number Of The Beast, Piece Of Mind, Porwerslave, Somewhere In Time e Seventh Son Of A Seventh Son.
Na década de 90 a banda mesclou pontos altos e baixos. Foram lançados apenas 4 discos nessa década: No Prayer For The Dying, Fear Of The Dark, The X Factor e Virtual XI. A banda continuou com a troca de integrantes. Adrian e Bruce saíram em 1990 e 1993 respectivamente, mas ambos voltaram em 1999 fazendo com que a banda atuasse agora com 3 guitarristas.
Em 2000 o Iron Maiden lançou o Brave New World e em 2003 o Dance Of Death. Em 2006 o novo álbum A Matter Of Life And Death é lançado, e a formação atual com 3 guitarristas parece consolidada. Esta é a formação mais duradoura da banda: 7 anos.
O chute inicial
A história do Iron Maiden começa em 1970, quando Steve Harris resolve largar sua promissora carreira de jogador de futebol para se dedicar à música.
O garoto que recebeu uma proposta e chegou a atuar como jogador juvenil no West Ham, seu time de coração, percebeu que aquela vida não era bem o que queria para si (apesar de sempre ter sonhado ser um jogador) e frustrado com a rotina de treinos e jogos que o afastava das festas, amigos e garotas, procurou algo para se dedicar sem mudar sua vida social. Provavelmente se Harris continuasse com a carreira de jogador o Iron Maiden nunca teria existido, pois ele era um ótimo atleta e tinha tudo para seguir uma brilhante carreira.
Assim, Harris passou a dedicar-se a sua outra paixão: a música. Primeiramente ele se interessou por bateria, mas como não tinha dinheiro e nem espaço para tal, acabou comprando um baixo por 40 libras. Uma cópia de um Fender.
Com a paixão pelo som de bandas como Jethro Tull, Deep Purple e UFO crescendo a cada dia, Harris resolveu montar seu próprio grupo, queria poder tocar como seus ídolos. Após passar por Influence, que depois se chamou Gypsy’s Kiss e Smiler, ele monta o que viria a ser a mais querida banda de metal do mundo, o Iron Maiden.
A primeira formação da donzela foi Steve no baixo, Dave Sullivan e Terry Rance nas guitarras, Ron Mathews na bateria e Paul Day nos vocais. A data da formação aponta para 25 de dezembro de 1975, mas somente em maio de 1976 é que a banda faria sua primeira apresentação, no St. Nicholas Hall.
Vidas paralelas
Naquela mesma época um tal de Bruce Dickinson ganhava um disco dos Beatles chamado She Loves You e começava a se interessar pelos palcos ao ensaiar peças de Shakespeare no colégio. Não demorou muito e lá estava ele se sentindo confortável nos palcos, mas agora como vocalista do Paradox (que virou Styx), Speed e Shots. Todas bandas de época de colégio e faculdade (Bruce fez faculdade de História na Queen Mary).
Paralelamente a tudo isso, o jovem Paul Di'Anno passava sua adolescência ouvindo Sex Pistols, The Clash, The Damned, Led Zeppelin, Stones... e cantando em poucas bandas sem nenhuma representatividade séria. Dennis Stratton, com um passado meio obscuro, surgia como guitarrista de uma banda que fazia certo sucesso, o RDB. E Clive Burr estava pegando nas suas primeiras baquetas.
Quase no mesmo canto, Adrian Smith, que gostava muito de futebol, teve uma experiência parecida com a de Steve Harris, largou o interesse pelo esporte ao comprar um LP do Deep Purple e entrou de vez na onda da música ao adquirir uma guitarra usada de um amigo por 5 libras. Esse amigo se chamava Dave Murray. Dave conheceu Adrian numa sessão de discos de rock no bairro onde moravam e daí por diante se tornaram quase que inseparáveis.
Adrian, assim como Steve Harris, fundou sua primeira banda, Evil Ways, logo após deixar o interesse pelo espore de lado. Dave Murray era o guitarrista daquela banda (antes eles haviam tocado no Stone Free), mas segundo Adrian (que era vocal) ele tinha uma tendência de ficar saindo e voltando. Adrian Smith não fazia por menos, e mesmo mantendo o projeto de sua banda ativo, ele participava de outros grupos. Foi nessa época que surgiu a primeira composição dele, a música '22 Acacia Avenue', claro, um pouco diferente do que conhecemos hoje.
Do lado de Steve, sua primeira música estava finalmente sendo tocada, seu nome era 'Burning Ambition'. Ela havia sido recusada pelos músicos do Smiler, e era um dos motivos dele ter saído para formar o Iron Maiden.
As primeiras substituições
Mas a banda ainda não estava com um som do jeito que Harris queria, ela precisava de alguém com mais talento, tanto nas guitarras quanto nos vocais. Para este último a solução foi trocar Paul Day por Dennis Wilcock.
Wilcock ao entrar na banda comentou sobre um loirinho, jovem e talentoso que havia tocado com ele na banda Warlock, seu nome era Dave Murray. Mas havia um problema, Murray apesar de sempre fazer audições para várias bandas, tinha um projeto muito bom (ainda que em fase embrionária) que posteriormente se chamaria Urchin, com seu amigo Adrian Smith. Dave queria ficar com ambos mas Steve procurava alguém que se dedicasse somente a sua banda.
Dave Murray havia tido uma infância muito humilde e se mudava toda hora. Ele chegou a ser um Skin Head e se meteu em várias confusões até resolver virar hippie e escutar Jimi Hendrix. Se apaixonou pelo som, deixou o cabelo crescer, largou a escola e virou uma espécie de 'Rock Star' do bairro por aprender e tocar guitarra tão bem. Assim, Dave acabava sendo convidado a tocar em muitas bandas (Electric Gas e The Secret são exemplos), até chegar ao Warlock.
Dave fez uma audição no Iron Maiden e deixou Harris de queixo caído ao tocar Prowler, uma das primeiras músicas da banda, e foi logo aceito. Murray também gostou muito do Iron e não pensou duas vezes, entre Adrian e o Iron, ficou com o Iron. Adrian ficou chateado no começo mas depois percebeu que não poderia segurar o talentoso Murray por muito tempo.
Curiosamente, Adrian já ficara sabendo do Iron Maiden antes de Dave, e provavelmente tinha visto uma apresentação deles em 1976, e mesmo sem se lembrar muito bem ele achou a banda muito boa e com estilo pesado. Outro fato muito curioso foi a visita de Steve Harris a um show do Urchin após a segunda saída de Dave da banda. Ele ficou impressionado com o guitarrista e vocalista Adrian Smith, a quem ele faria um convite algum tempo depois, como veremos mais à frente.
Voltando a falar de Iron Maiden, a banda estava com um novo vocalista e acabando de contratar um novo guitarrista (Murray), o que os tornaria um sexteto. Mas Dave Sullivan e Terry Rance não aceitaram a entrada de Murray e disseram "ou ele ou nós" e foram chutados da banda por Harris.
Com somente um guitarrista, surgem os primeiros contatos de Murray para trazer Smith para o Iron Maiden, mas ele sempre se recusava alegando que a banda era muito boa para seu talento e, além disso, o Urchin (que antes se chamava Evil Ways) estava indo muito bem. E era verdade. Enquanto o Iron Maiden dava seus primeiros passos, o Urchin já se tornava uma banda relativamente famosa e crescia a cada dia, tanto é que assinaram com um selo chamado DJM (que chegou a ter Elton John como um de seus contratados) e fizeram mais de 100 apresentações no mesmo ano. O Urchin também lançou um compacto que teve boas críticas das revistas mas não vendeu muito. Mesmo assim, Smith estava disposto a levar a banda pra frente. A solução para o Maiden foi acertar com Bob Sawyer.
A saída e a volta de Murray
Ao longo do tempo, Dave Murray foi percebendo que aquele era o som que ele tanto procurava, ou seja, estava finalmente na banda certa. Mas como nada é perfeito, ele começou a ter problemas com o outro guitarrista, Bob Sawyer. Com inveja de Dave, Bob jogou o vocalista Dennis Wilcock contra Dave e inventou tanta mentira a ponto de Steve Harris pedir para Dave se retirar.
Sem escolha, Murray voltou para o lado de seu amigo Adrian, no Urchin. Quando Dave foi para o Iron, o Urchin era só um projeto com muitas idéias de Adrian, nada firme, mas quando Dave voltou, esta já era uma banda de certo renome e tinha gravado um compacto. Enquanto isso o Iron Maiden ia de mal a pior. Depois da saída de Dave, a banda também trocou de baterista e chegou a ter um tecladista.
Após seis meses de experiências ruins, Harris caiu na real e viu que o Iron Maiden sem Dave Murray não seria o Iron Maiden. Ele foi atrás do companheiro e o encontrou numa apresentação do Urchin. Steve lhe disse que a banda toda tinha saído e que ele ia recomeçar do zero. Dave aceitou na hora. Mas nessa altura do campeonato o Iron ficava somente com Dave e Steve, e realmente ali começava a nascer uma nova banda.
Adrian Smith não ficou nada satisfeito com a saída de Dave, ainda mais porque ele tinha acabado de gravar o segundo compacto da banda, chamado "She's a Roller". Com a saída de Dave, a única coisa que Adrian teve de positivo é que Steve Harris viu uma apresentação da banda e gostou muito de Smith no palco.
Dave admite que foi uma sacanagem com Adrian Smith, mas diz que apesar da banda ser muito boa, não era aquele o tipo de som que realmente queria tocar, e o Maiden sim, tinha toda uma atmosfera que atraía Dave, principalmente a atitude de Steve Harris.
Bruce é descoberto... pelo Samson!
Mas nem só de Iron e Urchin vivia o East End naquela época. Perto dali uma outra banda começava a despontar com um LP chamado Survivors, através do selo independente Lazer, seu nome: Samson.
Liderada por Paul Samson a banda era muito boa, mas talvez devido a sua devoção maior pelas drogas do que pela música, não chegaram no merecido sucesso. O Samson, que contava com um baterista ex-Maiden, Barry Graham, achou Bruce Dickinson (que nem sonhava em conhecer o Maiden nessa época) numa apresentação do Shots. Eles lhe perguntaram "qual é a sua?", Bruce respondeu: "gosto de Purple, Sabbath e Jethro Tull" e foi contratado. Antes porém, pediu duas semanas para terminar a faculdade de história.
Bruce fez muitas apresentações com o Samson e em uma delas conheceu a banda com quem faria história na década de 80, o Iron Maiden. A apresentação foi no Music Machine em maio de 1979. Bruce ficou impressionado e logo pensou "ah, se eu fosse vocalista dessa banda poderíamos fazer coisas muito boas...". O Maiden abria o show para o Samson, mas a verdade é que deveria ser o contrario, pois eles arrasaram! tinham uma magia inexplicável nos palcos que atraía gente dos mais diversos cantos de Londres.
Mas Bruce mal sabia o que o Iron tinha sofrido até chegar a tal ponto. Quando Dave e Steve se viram sozinhos em meados de 77, começou uma verdadeira busca por novos e ideais integrantes. Durante o ano de 1978, enquanto Samson e Urchin (as bandas de Bruce e Adrian) despontavam, o Iron Maiden só fizera 3 apresentações, sendo que uma delas era a estréia do famoso vocalista Paul Di'Anno.
Paul Di'Anno, Rod Smallwood e Eddie - a nova fase
Quando Di'Anno entrou na banda, a mesma passava por enormes dificuldades, eles tiveram seus equipamentos roubados, estavam sem grana e falta um vocalista à altura. Mas com calma tudo se resolveu e graças aos bons amigos que tinham, recuperaram seu equipamento e chegaram até Paul.
Com esse novo vocalista, uma nova era começa e o ano de 79 se torna mais do que especial. Em julho daquele ano um certo Rod Smallwood descobre a banda e resolve se tornar empresário deles. Na mesma época também, surge a idéia de um amigo chamado Dave Lights, de colocar uma cabeça cuspindo sangue falso atrás da bateria. O adereço logo recebe o nome de "Eddie The Head".
Mas o ano ainda não havia acabado para a banda, eles tocaram pela primeira vez em uma rádio, se apresentam pela primeira vez no clube Marquee (com ingressos esgotados), foram convidados especiais do Motörhead, gravam seu primeiro compacto (o SoundHouse Tapes), que vendeu mais de 3.000 exemplares em uma semana, e conheceram o desenhista Derek Riggs. Sem contar que em dezembro finalmente assinaram contrato com a EMI.
Novas trocas
Mesmo com tudo dando certo a banda não se livrou das baixas. O guitarrista Tony Parsons sai sem mais nem menos (antes dele Paul Cairns e Paul Todd já haviam se aventurado na guitarra) e o ótimo baterista Doug Sampson segue o mesmo caminho por problemas de saúde. Para a vaga de guitarrista a primeira opção foi Adrian Smith, que mais uma vez recusou o convite de Dave e agora também de Steve, que ligou pessoalmente. Adrian achava que sua banda estava a ponto de fazer sucesso antes do Maiden, mas mal sabia que o Urchin iria acabar um ano depois.
Já que Smith recusara a oferta, a solução encontrada foi colocar um anúncio na revista Melody Maker. Muitos guitarristas se ofereceram mas a escolha foi um tanto 'estranha': um cara de 27 anos que curtia Eagles e The Doobie Brothers, chamado Dennis Stratton.
Stratton não era nem de longe o que a banda tinha pedido no anúncio, mas pesou a seu favor o fato de a namorada de Steve conhecer a esposa dele, e de sua foto na resposta do anúncio, ter um cachecol do West Ham. Além disso, o próprio Steve tinha visto apresentações do RDB, a banda na qual Stratton pertencia e sabia que Straton tocava bem. Tudo que ele precisou fazer então foi ter uma pequena conversa com Rod Smallwood e estava dentro.
Ao ver que a banda precisava de um baterista, Stratton indicou um loirinho que naquela altura já havia tocado também com o Samson, seu nome era Clive Burr. Clive fez uma audição e foi aprovado rapidamente depois que demonstrou sua habilidade na difícil Phantom Of The Opera. A banda estava fechada, agora só faltava gravar o primeiro disco.
O primeiro álbum - Iron Maiden
Antes do álbum sair, a banda participou da compilação Metal For Muthas com duas canções e lançou seu primeiro single, Running Free, que fez tanto sucesso a ponto de estar no 44º lugar em apenas uma semana. Fato inédito para um disco de estréia e ainda mais para uma banda de heavy metal. O fato lhes proporcionava a participar do 'Top Of The Pops', um programa famoso da TV, mas a banda recusou, só aceitando tocar se fosse ao vivo. A direção do programa aceitou e pela primeira vez em 8 anos uma banda tocava ao vivo e não com play-back, naquele programa.
O sucesso já era inevitável e naquele ano de 1980 a banda fazia ainda uma mini-turnê para divulgar a compilação Metal For Muthas e logo depois era convidada a abrir os shows do Judas Priest. Em abril de 1980 finalmente sai o primeiro disco. Inicialmente com 8 músicas o álbum é um sucesso, logo chega ao 4º lugar dos mais vendidos e supera todas as expectativas.
Aqui entram duas curiosidades: A primeira é que no mesmo ano, uma banda chamada 'White Spirit' lança seu primeiro disco pela gravadora MCA, só que foi ofuscado pelo sucesso do Iron Maiden. Mas aquela banda, apesar de estar abaixo do som do Maiden, tinha um guitarrista chamado Janick Gers, que se tornaria famoso com a Donzela 10 anos mais tarde. A outra curiosidade é que neste mesmo ano também, um jovem chamado Blaze Bayley deixava a escola e começava a vida profissional se inscrevendo como desempregado. Blaze não tinha nenhum contato com o Maiden naquela época, mas 14 anos depois ele viria a ser o vocalista da banda, como veremos mais abaixo.
A turnê do primeiro álbum começa no mesmo mês do lançamento e logo a banda faz sua primeira apresentação fora do Reino Unido. Lá Steve e o Iron conheceram Nicko McBrain, que seria seu futuro baterista. Nicko tocava em uma banda chamada Kitty, que se apresentou antes do Maiden em Kotrjik na Bélgica. Desde então, tornaram-se bons amigos, mas como o Iron já tinha Clive Burr, eles não passaram disso (aliás, Clive e Nicko sempre tiveram uma boa relação). Logo em seguida o Iron teve a oportunidade de abrir shows para o Kiss, e lá foram eles!
Adrian finalmente se rende à Donzela de Ferro
Mais uma vez, mesmo com tudo dando certo a banda sofre uma baixa. Dennis Stratton não se adaptou ao grupo e foi forçado a sair. Para seu lugar entra ninguém menos que Adrian Smith. Sendo amigo de Dave, Adrian sempre acompanhava o Iron Maiden e ficava feliz com o sucesso do companheiro, mas ao mesmo tempo estava muito triste e decepcionado com o Urchin, que já estava no fim de seus dias.
A entrada de Adrian foi uma obra do destino. Primeiro porque sua banda se desfez no mesmo momento em que Dennis Stratton saía do Iron. E depois porque Adrian encontrou-se por acaso com Murray e Harris andando na rua. A primeira pergunta que Harris fez foi "o que você está fazendo no momento?" e como Adrian estava quase parado surgiu o convite para entrar no Iron Maiden.
Adrian Smith estreou na banda ainda em 1980, no final do ano, quando fizeram cerca de 10 apresentações na Inglaterra e uma na Alemanha. Ele se adaptou muito bem e fez uma ótima parceria nas guitarras com Dave Murray. Foi o ponto de partida para a gravação do próximo álbum.
Killers
Em 1981 a banda começa o ano a todo vapor, lançando o Killers. Esse disco teve uma repercussão inusitada. Enquanto os críticos acharam decepcionante, os fãs adoraram e compraram mais do que o primeiro álbum, porém, esse gosto demorou a chegar e na primeira semana o álbum só alcançou o 12º lugar entre os mais vendidos.
Naquele ano também foram lançados os singles Twilight Zone e Purgatory, assim como o vídeo Live At Rainbow (que se chamava só 'Iron Maiden' quando foi lançado). Mas foi outro compacto que chamou mais atenção, o Maiden Japan.
Durante a turnê do Killers a banda fez suas primeiras apresentações fora do continente europeu e 5 delas foram no Japão, onde gravaram o EP Maiden Japan. Apesar de a voz de Paul mostrar sinais de cansaço este é um ótimo item e os fãs o tem como uma relíquia.
Só que os problemas com a voz de Paul Di'Anno estavam apenas começando. Em todo resto da turnê ela foi de mal a pior, e ele dava sinais de que aquele sucesso todo não era bem o que tinha imaginado para si. Foi então que em setembro de 81 Paul Di'Anno fez sua última apresentação com a banda. Segundo entrevistas de ambas as partes, Paul deixava o Iron amigavelmente, mas pouco depois ele mesmo soltava algumas farpas em direção da banda, e até hoje suas explicações não são tidas como 100% verdadeiras.
Para a vaga deixada por Paul, Steve Harris já tinha um nome em mente, o cantor Bruce Dickinson, aquele que estava numa banda 'rival' do Maiden, o Samson.
A entrada de Bruce Dickinson
Bruce (apelidado de Bruce Bruce) havia impressionado Steve Harris um ano antes, no Reading Festival, e por pouco sua banda não abriu os shows do Maiden na Killer World Tour (a gravadora do Samson deu a desculpa de que não pagaria as despesas da turnê), seria a primeira vez que Bruce e o Samson tocariam fora do Reino Unido. Ao invés deles, quem abriu boa parte dos shows europeus foi a banda Trust, que tinha um certo Nicko McBrain, já conhecido de Harris, na bateria. Só que desde então, Steve passou a observar mais o Samson e quando surgiu a oportunidade foi direto falar com Bruce.
Rod Smallwood não gostava do Samson na época por causa de divergências e chegou a ser contra a indicação de Bruce, mas Harris sempre persistente, convenceu Rod a ver Bruce cantando no Samson, que naquela altura já tinha um disco chamado Shock Tactics (gravado nos estúdios ao lado de onde o Iron gravava o Killers), lançado pela gravadora 'Gem' mas estavam passando maus bocados em virtude dos processos de seus ex-empresários e da quebra da gravadora. Com Rod convencido, Steve chamou Bruce para uma audição no Iron Maiden.
Ao contrário do que muitos pensam, nenhum outro vocalista chegou a fazer testes no Iron Maiden. Dickinson foi o único. Ele aceitou logo de primeira (fazendo um certo charme ao dizer que não vestiria roupas de couro como Paul) e Steve foi logo pedindo que decorasse 6 músicas para o teste. Bruce estava louco pra entrar naquela banda, já os conhecia desde o show no Music Machine e até havia escutado músicas do Killers antes mesmo do álbum sair. A ocasião ocorreu quando o Samson estava gravando seu álbum no estúdio ao lado de onde o Maiden gravava o Killers, e Clive Burr convidou alguns integrantes do Samson (sua ex-banda), entre eles Bruce, pra ouvir como estava ficando a gravação do novo disco do Maiden. Bruce se lembra de ter ficado de queixo caído com a música Murders In The Rue Morgue, então naquela altura ninguém estaria mais empolgado com a audição do que ele.
Bruce não perdeu tempo e decorou 15 músicas. No teste tocaram 10 direto e dali só saíram para o bar mais próximo para comemorar.
Bruce ainda tinha algumas pendências contratuais com a gravadora do Samson, o que não o impediu de estrear na banda ainda em 81 na Itália (mais precisamente em Bolonha), mas o impediu de levar créditos nas músicas em que ele ajudou a compor para o próximo álbum do Maiden.
The Number Of The Beast
Em fevereiro de 82 o mundo teve um pequeno gostinho do que estava por vir, o single Run To The Hills atingiu o 7º lugar nas paradas e foi um grande sucesso nos EUA, mas aquilo era só o começo...
No mês seguinte a banda lançava o álbum que entrou para a história do heavy metal, The Number Of The Beast. O disco é o mais vendido de todos os tempos da categoria e um marco na história do rock mundial, tem músicas absurdamente empolgantes como a faixa título, The Prisoner, Run To The Hills, 22 Acacia Avenue e Hallowed Be Thy Name. Esta última um primor, tanto na letra quanto no som. Ele foi direto ao topo, nº 1 em diversos países, e assim a banda alcançava as alturas.
Pouco depois começava a turnê do álbum, passando novamente por diversos países fora do continente europeu, entre eles os EUA, onde abriu shows de ninguém menos que Scorpions, Judas Priest e Rainbow. Nessa mesma época a banda é convidada novamente a participar do Reading Festival, um marco em sua trajetória, e faz uma pequena pausa na turnê americana só para viajar até a Inglaterra e tocar no festival.
É nessa mesma época também que Eddie começa a aumentar de tamanho, aparecendo nos palcos da banda com quase 3 metros de altura.
"Adeus Clive Burr"
Após merecido descanso, a banda voltou a ser notícia no início de 83, mas ainda não era por causa do novo álbum e sim pela saída de Clive Burr.
Clive era considerado um dos 3 melhores bateristas do mundo, mas não estava agüentando o ritmo de apresentações da banda, saiu em comum acordo alegando razões pessoais e ganhou um recado de 'boa sorte' nos créditos do álbum seguinte. Para sua vaga, Steve Harris lembrou daquela 'figura' que ele havia conhecido na Bélgica e que abriu shows da banda em 81, Nicko McBrain.
Nicko era um festeiro como Clive, e Rod podia achar isso um problema, só que além de brincalhão Nicko é muito honesto e profissional, e foi isso que pesou a seu favor. Em certa ocasião, muito antes de Clive pensar em sair do Maiden, ele ligou para Nicko e desabafou, estava com medo de ser trocado por McBrain. O que Clive ouviu foi algo surpreendente: "fica frio e trabalhe bem, eles nunca vão me chamar se você se cuidar". Nicko ainda deu algumas dicas de como se cuidar na bebedeira e Clive durou toda a turnê do Killers e do The Number of The Beast antes de pedir pra sair.
Por ironia do destino, Rod Smallwood conheceu Nicko bem antes de todo mundo, em Nova York, quando ele era empresário da banda Cockney Rebel e Nicko baterista do Streetwalkers. Rod logo se lembrou do "cara legal, completamente doido" e achou uma boa escolha de Steve.
Nicko se adaptou muito bem no Iron Maiden pois já conhecia a banda e curiosamente tinha estado em turnê com eles, mas não tocando e sim como 'diabo' atrás do palco!
Aqui entramos em uma nova curiosidade: no mesmo mês em que Nicko entrava na banda (dezembro de 82) abrindo a era dos "anos dorados" do Iron Maiden, o guitarrista Janick Gers ficava desempregado ao ver o fim de sua banda (Gillan) na qual permaneceu por mais de 1 ano após sair do White Spirit em 81.
Piece Of Mind
Com a fácil adaptação de Nicko a banda parte para as Bahamas gravar seu próximo álbum, que sairia logo em maio. O Piece Of Mind foi bem recebido pela crítica e teve uma ótima aceitação dos fãs, mesmo que ainda abaixo do inalcançável The Number Of The Beast. O disco trás outras excelentes músicas como Die With Your Boots On, Flight Of Icarus e Revelations, mas é uma música sobre a guerra da Criméia que virou sucesso incontestável, The Trooper!
A turnê também foi um sucesso e pela primeira vez a banda passava a ser atração principal em todos os shows, começava ali a melhor fase da banda e a formação mais duradoura.
Powerslave
Após o Piece Of Mind, é lançado o álbum Powerslave, outro marco na trajetória da banda e propulsor da maior turnê que o Maiden já fez, a World Slavery Tour. Músicas como '2 Minutes To Midnight', 'Aces High' e a faixa-título (realmente impressionante) se tornariam clássicos absolutos, com a banda ainda mais entrosada, coisa que parecia impossível. Mas a música que mais repercutiu daquele álbum e turnê foi 'Rime Of Ancient Mariner'. Com seus 13 minutos de puro metal, riffs alucinantes, solos extraordinários e vocal perfeito esta música entrou no coração dos fãs como uma das melhores e é impossível não gostar dela sendo um fã de Iron Maiden.
Durante a World Slavery Tour a banda fez apresentações históricas como na noite em que veio ao Brasil tocar no Rock In Rio diante de 200 mil fãs, e nas 4 noites de lotação esgotada em Long Beach, que rendeu um disco e um vídeo ao vivo chamado Live After Death.
Os anos de 1984 e 85 foram realmente especiais, não só porque o Iron Maiden teve uma brilhante e bem sucedida turnê, mas também porque estes foram dois anos especiais para futuros integrantes e ex-integrantes da Donzela de Ferro. Em 1984, enquanto era lançado o Powerslave, a Banda Wolfsbane era criada, seu vocalista? Blaze Bayley! 10 anos mais tarde ele se juntaria ao Iron Maiden.
Já em 85, ano de lançamento do Live After Death, Paul Di'Anno se juntava à Janick Gers para formar seu projeto solo. Seis meses depois, ambos formaram o Gogmagog junto com Clive Burr, ex-baterista do Maiden, mas a banda não conseguiu um bom contrato e acabou pouco tempo depois.
Somewhere In Time
Não menos importante que o álbum anterior, Somewhere In Time (o 6º disco da banda) é lançado em setembro de 86, após uma pausa que deveria durar 6 meses, mas que durou somente 4. O uso de sintetizadores foi uma feliz novidade apresentada pela banda e colocou este entre um dos melhores discos do Iron Maiden. Ele tem ótimas canções como De Ja Vu, Heaven Can Wait e a faixa título, além de contar com a épica 'Alexander The Great'.
Nos palcos a banda continuou com a ótima produção e formou um ambiente futurista com Eddie entrando no palco em forma de ciborg. A turnê foi menor que a anterior e dessa vez não houve shows no Brasil.
Seventh Son Of A Seventh Son
Para o álbum seguinte, Seventh Son of A Seventh Son, a banda apostou nos teclados e na sofisticação que deram resultado no Somewhere In Time. O que saiu foi um álbum pesado e melódico, mas com uma influência de Rock Progressivo. O "7th Son" é um álbum conceitual, mas foi formado por acaso. Bruce e Harris escreveram as letras separadamente e quando juntaram tudo perceberam que elas se encaixavam perfeitamente. Assim nasceu o novo álbum que foi o primeiro a atingir o topo da parada inglesa desde o The Number Of The Beast.
A turnê do disco também foi um sucesso e a banda aproveitou cada show o máximo que pode. O destaque foi a apresentação no Monsters of Rock em Donington, onde fechou a noite tocando para cerca de 100 mil pessoas. Curiosamente, desta vez era o Kiss quem abria um show do Iron Maiden, e eles estavam no auge.
No ano seguinte a banda fez uma pausa, mas lançou um item muito bom, o VHS Maiden England, que mostra a apresentação da banda no Birmingham N.E.C. (Inglaterra) nos dias 27 e 28 de novembro de 1988.
O início dos projetos paralelos
Enquanto isso, Adrian Smith se aventurava em um projeto solo chamado ASAP, com a aprovação de Rod, que achava boa a idéia de um guitarrista do Maiden fazer sucesso nos EUA.
Bruce Dickinson era outro que se aventurava em um projeto solo. A história começou quando Rod procurava alguém para escrever uma música para o filme A Hora do Pesadelo V e perguntou a Bruce se ele tinha alguma coisa. O vocalista mentiu dizendo que sim, mas na verdade não tinha nada em mente. Bruce achou que seria uma boa oportunidade para dar uma força à um amigo que andava sem emprego e deprimido: Janick Gers.
Janick tinha um bom currículo, havia tocado com Ian Gillan há um tempo, participado de álbuns de boas bandas e enquanto o Maiden fazia sucesso na década de 80, ele se juntava a dois ex-integrantes da banda, Paul Di'Anno e Clive Burr, no Gogmagog. Com isso, Janick ficou a ponto de vender seu equipamento, desistir da carreira musical e voltar à faculdade para estudar ciências humanas, mas mudou de idéia ao receber um convite de Bruce Dickinson, seu velho amigo.
Bruce e Janick se conheciam desde os tempos de Samson, eles moravam somente há um quarteirão de distância e freqüentavam algumas festas juntos. Quando Rod pediu a Bruce para fazer algo para A Hora do Pesadelo, ele chamou Janick, montou uma banda e gravou Bring Your Daughter To The Slaughter.
Quando o pessoal da Zomba (editora do Maiden na época) ouviu aquele som logo perguntaram se tinha mais material para fazer um álbum. Apesar de não ter, Bruce falou que sim e chamou Janick para compor seu projeto solo e gravar seu primeiro álbum, o Tattooed Millionaire.
A saída de Adrian Smith e a entrada de Janick Gers
Só que antes de Bruce, quem estava mais preocupado com projetos solo era Adrian, que preferiu se dedicar ao ASAP integralmente, saindo do Maiden.
Adrian gostava do tipo de música do Somewhere In Time e do Seventh Son e ficou decepcionado em 1990 com o caminho que a banda estava planejando para o próximo álbum, assim ele preferiu tomar as rédeas de sua própria carreira e saiu da banda amigavelmente, deixando até uma música pronta para o próximo álbum: Hooks In You.
Com somente um guitarrista e às vésperas de gravar o No Prayer For The Dying, a banda não tinha muita escolha e quando Bruce indicou Janick Gers para a vaga, eles não pensaram duas vezes, fizeram uma audição relâmpago e no dia seguinte entraram em estúdio para gravar.
Adrian saiu do Maiden mas não se deu bem com o ASAP, sua banda não teve o sucesso esperado apesar do imenso apoio que recebeu e ele aos poucos foi sumindo.
No Prayer For The Dying
Assim como Adrian, o Iron Maiden não passava por uma boa fase, o No Prayer For The Dying, apesar de ter vendido bem em todo o mundo (exceto nos EUA), foi o disco menos bem sucedido do Maiden na era Bruce Dickinson. Seu som parece uma demo bem produzida, já que a banda não usou a vasta tecnologia dos dois discos anteriores.
Para abrir os shows da turnê desse álbum na Inglaterra, foi chamada uma banda que teve boas críticas e estava aparecendo bem depois de lançar um mini-álbum de nome esquisito (All Hell’s Breaking Loose At Little Kathy Wilson’s Place), o Wolfsbane. O vocalista dessa banda era aquele adolescente que largava os estudos ao mesmo tempo em que o Iron lançava seu primeiro disco, Blaze Bayley. Através dessa oportunidade, Blaze conheceu Steve e o pessoal do Iron Maiden, passando a jogar umas partidas de futebol com eles.
A turnê do Iron Maiden em si foi muito mais simples que as anteriores, sem as pirotecnias e o ótimo visual no palco de antes. Apesar de tudo foi uma boa turnê, mas a banda já não parecia como antes, diziam os críticos que ela estava em decadência.
Fear Of The Dark
A resposta do Maiden veio 7 meses após o fim da No Prayer On The Road, com o single Be Quick Or Be Dead atingindo a 2ª posição nas paradas de sucesso. No mês seguinte a banda lançava um novo disco, o Fear Of The Dark, e pela terceira vez em sua carreira estava no topo da parada inglesa. Com Gers mais entrosado, o álbum saiu bem melhor que o anterior e contava com músicas certeiras como Be Quick Or Be Dead, a épica faixa título, a balançante From Here To Eternity e até uma balada, Wasting Love. Havia um pouco de tudo no disco e parecia que o Maiden havia se acertado afinal na nova década, mas só parecia.
O disco e a nova turnê foram um sucesso. Pela segunda vez eles foram convidados a fechar uma noite do Monsters of Rock Festival em Donington, e essa participação memorável, em que até Adrian Smith se juntou à banda na última música, Running Free, renderia um novo álbum ao vivo (Live At Donington) e um vídeo (Donington Live).
A banda também tocou pela primeira vez em vários países como Islândia, Argentina, Uruguai e México, e voltou ao Brasil depois de 7 anos, para fazer 3 brilhantes apresentações.
Bruce se despede
Em 93 a banda lançava dois álbuns ao vivo, A Real Live One e A Real Dead One, fruto de gravações ao longo da turnê, porém, uma má noticia deixava a banda e os fãs muito triste: Bruce Dickinson estava saindo do Iron Maiden.
O vocalista ainda participou de mais uma turnê chamada Real Live Tour, mas estava com a cabeça em seus projetos solos e nas coisas novas que estava fazendo, como escrever livros e apresentar programas de rádio. Em agosto daquele ano, Bruce se despedia oficialmente da banda. O último show ainda rendeu um vídeo muito interessante que mistura ilusionismo e música, o Raising Hell.
A nova escolha: Blaze Bayley
Um dos primeiros a ser chamado para a vaga de Bruce foi o colega de partidas de futebol, Blaze Bayley. Só que o vocalista do Wolfsbane recusou por lealdade à sua banda. Harris gostou disso e provavelmente esse foi um dos motivos de sua escolha.
Mas antes de Blaze se arrepender e deixar o Wolfsbane em direção ao Iron Maiden, Harris e cia divulgaram à imprensa que procuravam um novo vocalista. Uma infinidade de candidatos apareceu, entre eles o brasileiro André Matos do Angra, e Dougie White que faria sucesso com o Rainbow tempos mais tarde.
Dougie foi o único além de Blaze que fez um teste no Iron Maiden e todos dizem que se saiu muito melhor, mas inexplicavelmente (ou talvez pela amizade 'futebolística' e 'alcoolística' com Steve) Blaze foi o escolhido.
Assim, em janeiro de 1994 Blaze era anunciado oficialmente como novo vocalista da Donzela. Mas a banda que estava de férias há 2 meses teve que ficar quase o ano todo de 94 parada em função de um acidente de moto com seu novo vocalista.
The X Factor
Em 1995 com Blaze já recuperado, sai o tão esperado novo disco, The X-Factor. Foi um fiasco! decepção total e críticas muito severas por parte da imprensa fizeram a banda se sentir mal. Aquele era o disco mais sério e "adulto" do Maiden, sem historinhas de terror nem ficção científica, muito menos bom humor. Ele tem boas músicas, mas na voz de Blaze não soavam bem.
Todos sabem que Bruce é insubstituível, mas o que exigiam de Blaze era algo além de sua capacidade. Ele não era um péssimo vocalista, mas seu estilo estava muito longe de ser compatível com o Iron Maiden, e assim a banda deixou de evoluir. A turnê daquele disco apesar de tudo, durou cerca de um ano, mas só serviu para aumentar as críticas sobre o novo vocalista.
Best Of The Beast
Em 96, para animar um pouco os fãs a banda lança a sua tão esperada coletânea, Best Of The Beast, e ainda anuncia que está produzindo um jogo de computador em que Eddie é o protagonista. O lançamento é um sucesso e a banda se sente mais à vontade e tira férias depois de tanta crítica.
Enquanto isso, os ex-integrantes da donzela faziam um bom trabalho pelo mundo. Dennis Stratton participava com Paul Di'Anno do disco 'Live In Japan' pela banda Praying Mantis que vendeu muito bem e os ajudou em suas carreiras solo.
Bruce, que até aquele momento já tinha 3 álbuns, convidou Adrian Smith para integrar sua banda em 97 e gravar o próximo disco.
Adrian estava meio que parado, o projeto ASAP foi por água abaixo e com o Psycho Motel, sua segunda tentativa já em 96, ele não conseguia ter uma repercussão como gostaria. Mas com Bruce as coisas começavam a mudar e logo que ele entrou na banda fizeram um disco que mudaria seu futuro, Accident Of Birth.
Somente Clive Burr estava sumido. Depois de passar também pelo Praying Mantis, Clive Burr's Escape (um projeto próprio) e outras bandas, diziam que o ex-baterista estava trabalhando como motorista de táxi.
A surpreendente volta de Bruce e Adrian
Foi então que pouco antes da gloriosa passagem de Bruce Dickinson pelo Brasil em 99, o inesperado aconteceu, Blaze estava oficialmente fora da banda e Bruce estava de volta em seu lugar.
A notícia que deixou todos de boca aberta já era excelente, mas se tornou soberba quando anunciaram que Adrian Smith também voltaria. Foi como uma final de campeonato para os fãs, que só faltaram soltar fogos de tanta alegria. Um bom exemplo disso foi a empolgação do público nos shows de Bruce para a gravação do Scream For Me Brazil.
E a banda não perdeu tempo, tão logo terminou a turnê da banda solo de Bruce, o Iron lançou o seu tão esperado jogo Ed Hunter e partiu para uma turnê de verão pela Europa. O sucesso foi absoluto, o verdadeiro Iron Maiden estava de volta!
Com 3 guitarras o som que, segundo os críticos ficaria ruim e abafado, ficou ainda melhor, e trouxe um novo leque de possibilidades para a banda trabalhar.
Brave New World
No ano seguinte, depois de tanta expectativa saía o novo álbum, Brave New World. Um disco sob medida, que está mais próximo de ser um sucessor do Seventh Son of A Seventh Son do que do Virtual XI. A banda arrasou os críticos novamente, superaram todas as expectativa e lotaram todos os cantos por onde passaram.
Brave New World os levou de volta ao topo. Músicas como Ghost of The Navigator, a faixa título, Blood Brothers e The Wicker Man logo viraram 'clássicos' e uma das mais comentadas foi The Fallen Angel, que apesar de pouco executada ao vivo, agradou bastante por ser diferentemente muito pesada.
Comemorando a brilhante volta por cima e encerrando a turnê, a banda faz uma apresentação memorável no Rock In Rio, em janeiro de 2001. Pela segunda vez a banda participa do festival e desta vez toca para cerca de 250 mil pessoas, um recorde para a banda. Deste show saíram o CD e DVD Rock In Rio, que foram tão bem sucedidos quanto o Brave New World.
Mesmo estando bem na mídia, de bolso cheio e moral elevado a banda não se esquece de seus amigos e uma prova disso foi o que fizeram em 2002, relançando o single Running Free e fazendo 3 apresentações na Brixton Academy para arrecadar fundos para uma campanha à favor de Clive Burr, que sofre de esclerose múltipla.
Dance Of Death
Exceto pelos 3 shows em 2002 a banda esteve de férias e só retornou aos estúdios em 2003 para gravar o novo disco. Existia muita dúvida sobre o que viria a seguir. Estaria enfim o Maiden em decadência? estariam velhos para fazer turnês? Estariam se desentendendo? Como seria o próximo álbum? todas essas dúvidas seriam respondidas com grande estilo, primeiro na turnê de aquecimento que se iniciou no verão de 2003, a Gimme Ed Til I'm Dead, onde a banda fez ótimas apresentações e tocou uma música inédita do próximo disco (Wildest Dreams), e depois com o lançamento do 13º disco de estúdio da banda, o Dance Of Death.
O álbum que teve seu nome guardado em segredo desde maio, foi outro grande sucesso e diferentemente do Brave New World contava com letras mais históricas. O que não mudou foi o ritmo da banda, aliás, mudou sim, e mudou para melhor. O disco tem riffs mais pesados como em Montsegur e No More Lies, e solos muito bem elaborados como em Dance Of Death e Paschendale. Esta última que aliás, já se tornou um épico! O disco conta ainda com duas novidades, pela primeira vez Nicko compõe uma música (New Frontier), e pela primeira vez a banda grava uma música acústica (Journeyman).
Em 2004 a banda inicia o ano se envolvendo em duas polêmicas. A primeira é o boato sobre o Maiden parar de fazer shows, que foi desmentido por Bruce ainda na Europa e reforçado pela banda ao chegar no Brasil para dois shows. A segunda polêmica é sobre a famosa frase de Bruce Dickinson no Rio e em São Paulo: "Quando o Iron Maiden diz que vem ao Brasil, ele REALMENTE vem ao Brasil". O recado, claro, foi para o Metallica, que tinha cancelado seus shows por aqui pouco antes.
Novos tempos
A turnê do Dance Of Death só comprovou o que todos os fãs já imaginavam, a banda tem pique para mais uns 20 anos, e não pretende parar. Em comemoração ao sucesso desta última turnê e do último álbum, eles lançaram o EP No More Lies e relançaram o Dance Of Death em versão DVD-A e pouco depois iniciaram uma série de DVDs que vai contar a história da banda em documentários e imagens raras. O primeiro item é o 'The Early Days'.
Atualmente, Dennis Stratton e Clive Burr estão afastados da mídia, mas segundo eles, ainda andam tocando seus instrumentos de vez em quando. Paul Di'Anno segue firme com sua banda, assim como Blaze Bayley, e o Maiden... bem, o Maiden continua desfrutando de sua trajetória vitoriosa, se preparando para novos desafios e buscando novos motivos para continuar a escrever belas páginas de sua história.
UP THE IRON'S!
Poesia da vez
O meu mundo não é como o dos outros quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade...sei lá de quê!
Florbela Espanca
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Daqui a cinco anos você estará bem próximo de ser a mesma pessoa que é hoje, exceto por duas coisas: os livros que ler e as pessoas de quem se aproximar”
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